sábado, 27 de agosto de 2011

Atalia e Jeoseba


2Cr 22 e 23
       Atalia foi uma rainha que usurpou o trono de Judá. Ela era tão cruel e maligna como as rainhas malvadas dos contos de fadas. Entretanto sempre se levanta uma pessoa como Jeoseba que, ao fazer o que é certo, frustra os planos finais malignos.
1)  O egoísmo de Atalia
Ela tinha apego excessivo aos seus interesses e não considerava o bem estar do próximo.
a) Manipuladora: Atalia ficou cerca de 15 anos na corte de Judá. Era filha do rei Acabe, do reino do Norte, um rei perverso que, junto com sua esposa Jezabel, fez o que era mau perante o Senhor mais do que todos os que foram antes dele. Atalia se casou com o rei de Jeorão, que fez o que era mau como a família de Acabe, porque se casou com a filha dele (2Cr 21:6). Exercia significante influência sobre o rei, e quando seu marido morreu, após um reinado de oito anos, manipulou também seu filho Acazias, porque sua mãe o aconselhava a proceder iniquamente (2Cr 22:3). Os reis marido e filho andaram nos caminhos da casa de Acabe por causa da influência manipuladora de Atalia.
b) Ambiciosa: Quando seu filho Acazias morreu, ela usurpou o trono. Matou toda a descendência da casa de Judá para garantir seu reinado. Nessa época, Deus levantou o rei Jeú, do Norte, para exterminar toda a casa de Acabe (2Rs 9:6-8). Os reis de Israel eram colocados no trono independente de sua linhagem, mas os reis de Judá eram todos da linhagem de Davi, pois era promessa divina de que o Messias que reinaria para sempre descenderia de Davi (2Sm 7:16 ; Jr 33:17 ; Is 9:6-7). Atalia também tentou eliminar a linhagem de Davi, querendo pôr fim à promessa ao reinar 6 anos em Judá, sem ser da linhagem de Davi. Mas não viu o golpe sendo construído.

2) O altruísmo de Jeoseba
Ela pensou primeiro no interesse da nação. Correu risco de vida ao defender a promessa de Deus.
a) Protetora da vida: Jeoseba era filha do rei Jeorão  irmã do rei Acazias, os dois falecidos. Era esposa do sumo-sacerdote Joiada. Quando viu a rainha-mãe matar todos seus filhos e netos, furtou seu sobrinho, o filho do rei Acazias e o escondeu junto com sua ama. Jeoseba o manteve escondido na casa do Senhor. Provavelmente, como esposa do sacerdote, morava nas dependências do Templo e, enquanto Atalia reinava, ela criou o filho do rei como seu filho, passando o fato despercebido pela rainha má.
b) Submissa: Jeoseba criou e educou o filho do rei no Templo para que, no dia oportuno ele reinasse. Correu grande risco ao proteger a vida da criança porque acreditava na promessa divina. Esperou por 6 anos.
No sétimo ano, o seu marido, o sumo-sacerdote reuniu todos os levitas e os chefes das famílias israelitas e disse: “Reinará o filho do rei conforme o Senhor prometeu acerca dos descendentes de Davi” (2Cr 23:3b). Trouxeram o filho do rei para fora, colocaram a coroa, entregaram-lhe o Livro da Lei e o ungiram rei. E todo o povo gritou: Viva o rei.
Quando Atalia ouviu, correu para o Templo, vendo o rei, rasgou as suas vestes e gritou: Traição. Tiraram a rainha para fora do templo e a mataram. O rei de direito subiu ao trono, então fizeram  aliança com Deus (2Cr 23:16); derrubaram os altares de Baal (23:17); restabeleceram o culto ao Senhor (23:18) e restauraram o Templo (24:4).

APLICAÇÃO
       Jesus cumpriu toda profecia do AT (Lc 1:31-33).
       Quando Ele veio, implantou o Reino de Deus aqui na terra. Nossa tarefa como igreja é tornar visível o reino invisível de Deus através da nossa vida. Quando fazemos a vontade de Deus, contribuímos para a expansão do Reino.
Pessoas como Atalia frustram o Reino de Deus. Somos como ela quando manipulamos, querendo ter o controle das coisas e das pessoas, quando nos assemelhamos com a nossa geração imediatista e com relações descartáveis, a geração do ficar, sem compromisso e envolvimento emocional. Quando nos importamos com as pessoas só quando elas nos são úteis, se elas nos ameaçam o poder, são condenadas à morte. Quando somos egoístas e nossos interesses são mais importantes que o bem estar coletivo. Quando nos esquecemos que fomos chamados não pra mandar, mas pra servir.
Pessoas como Jeoseba levam e proclamam o Reino de Deus por onde elas passam. Ao invés de lutar por poder, lutamos pra gerar relacionamentos que desenvolvem o compromisso, a cooperação, a compaixão. Quando nossos vínculos afetivos são construídos para nos abençoarmos mutuamente e não como meio descartável de autopromoção e autoafirmação. Quando produzimos a intimidade com o outro debaixo de confiança, não esquecendo que isto se constrói aos poucos, com paciência e dedicação, com flexibilidade e capacidade de perdoar. Quando construímos um relacionamento íntimo com Deus e melhoramos a qualidade das nossas relações humanas. Quando amamos a Deus acima de todas as coisas e amamos ao próximo como a nós mesmos. Amar como Jeoseba significa correr riscos, abrir-se, doar-se, acreditar e esperar.
Vania Vicente

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Raabe e seu poder de influência


1)      Animou os dois espias
Para entender a extensão da sua influência entusiasmando os dois espias, nos lembremos dos 12 espias enviados há quase 40 anos atrás. Dez deles voltaram amedrontados e assustados com o povo numeroso e forte que habitava a terra de Canaã, desanimando toda a nação de Israel e fazendo com que eles fossem castigados peregrinando no deserto e não deixando que nenhum desses que duvidaram entrasse na terra prometida. Por isso passaram quarenta anos no deserto aprendendo a confiar no Senhor até a nação incrédula toda ser enterrada ali.
Neste texto, dois espias são enviados novamente para observar a terra e trazer um relatório. Entraram na casa de Raabe e pousaram ali. O rei de Jericó soube da presença deles e quis capturá-los, mandando que eles viessem para fora da casa onde estavam. Mas Deus conta com essa mulher de coragem que arrisca sua vida para escondê-los e enganar os soldados, dizendo que eles realmente tinham estado ali, mas já tinham saído, e deu uma direção qualquer pra eles tomarem e irem após os espias. Raabe tinha escondido os israelitas no eirado da casa. Foi ter com eles e revelou que acreditava que Israel conquistaria aquela terra e que todo o povo estava apavorado por causa da presença deles. Raabe animou e encorajou os espias mostrando o quanto o povo dela estava indefeso, apavorado e sem ânimo algum diante deles.

2)      Reconheceu o poder de Deus
Raabe era uma prostitua Cananéia, morava em cima do muro de  Jericó. As cidades fortificadas tinham um muro ao redor que poderia ter de 6 a 9 metros de largura, o suficiente pra existir casas em cima. Como era uma mulher que se relacionava com as pessoas e morava num ponto estratégico para receber visitantes, tinha acesso a informações de viajantes e notícias gerais do mundo. Mostrou grande conhecimento das conquistas de Israel, como a travessia do Mar Vermelho e da vitória na guerra contra os dois reis amorreus. Raabe reconheceu que a força que esse povo tinha era por causa do Deus deles. Admitiu que foi Deus quem deu Jericó para eles, confessou que esse Deus é Deus em cima nos céus e embaixo na terra. Com essa confissão ela está abandonando a crença nos deuses cananeus e afirmando sua fé na promessa divina de que daria a terra ao povo de Israel.


3)      Alcançou e estendeu misericórdia
Em seguida ela clamou por misericórdia por sua própria vida e por aqueles que ela amava. Assim como tratou-os com bondade, pediu um sinal pra que, quando conquistassem a terra, poupassem a vida dos pais, dos irmãos e as famílias deles. Os espias garantiram poupá-la e a sua família com a própria vida e exigiram fidelidade, um aviso na janela representado pelo cordão de fio escarlata e as portas fechadas com os que iam se salvar dentro.

4)      Suas palavras repercutiram no relatório dos espias
Quando os espias voltaram para o acampamento contaram tudo o que havia acontecido. Estavam entusiasmados e estimulados a tal ponto que fizeram repercutir as palavras de Raabe dizendo que o Senhor quem deu esta terra e que todos os seus moradores estavam desmaiados diante deles. As palavras dela tiveram uma influência sobre os espias e consequentemente sobre uma nação inteira que se levantou para a conquista da terra.
Vania Vicente

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rispa e sua vigília


         Rispa era concubina do rei Saul e tinha dois filhos com ele: Armoni e Mefibosete. Saul também teve uma esposa, Aionã, com quem teve 6 filhos: Jônatas, Abinadabe, Malquisua (que morreram com ele na última batalha no Monte Gilboa), Merabe e Mical ( esposa de Davi) e Isbosete.
            Nessa passagem Davi era rei em Israel quando houve uma fome de 3 anos. O rei consultou ao Senhor que lhe disse: A fome veio por causa de Saul e sua família sanguinária, por terem matado os gibeonitas.
            Em Josué 9 encontramos o relato da aliança que Israel tinha com os gibeonitas. Israel estava conquistando a terra, e quando os reis das cidades ficaram sabendo que iriam ser conquistados se armaram para guerrear contra Israel e defender suas terras. Os habitantes de Gibeom temeram Israel e usaram de astúcia para conseguir aliança com eles. Enviaram homens com objetos gastos, vestindo roupas e sapatos velhos e desgastados, pão seco, e se apresentaram como se tivessem vindo de uma região muito distante. Sem consultar ao Senhor, Josué fez um acordo de paz com eles, garantindo poupar-lhes a vida. Depois de 3 dias souberam que eram seus vizinhos. Mas o acordo já estava estabelecido diante do Senhor e os gibeonitas ficaram fixados na tribo de Benjamim. Os outros reis souberam da aliança e se revoltaram, lutando contra os gibeonitas que tiveram Israel como aliado, na batalha onde Josué pede e o sol se deteve e a lua parou.
            Saul era benjamita e tentou aniquilar os gibeonitas que faziam parte da casa de Saul. Por causa desta quebra de aliança, Deus estava julgando Israel, e Davi, ao tomar conhecimento disso, procura os gibeonitas para poder reparar o que foi feito e Deus voltar a abençoar a terra. Eles não quiseram prata nem ouro da família de Saul, mas exigiram 7 de seus descendentes para serem executados perante o Senhor em Gibeá. Davi entregou 5 netos de Saul, filhos de Merabe, sua filha, e os dois filhos de Rispa, sua concubina.
1)      Rispa viveu o reflexo da aliança rompida
Qualquer aliança diante de Deus, mesmo a repentina, tem um peso de responsabilidade e compromisso. Esta mãe viveu as conseqüências da quebra de uma palavra empenhada. Os gibeonitas sabiam da lei  e devem ter se pautado em Nm 35:31 – “Não aceitareis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; antes, será ele morto.”
      Provavelmente os 7 homens entregues por Davi estavam envolvidos de alguma maneira na matança porque a lei diz em Dt 24:16 – “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.” Ez 18:20 – “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre ele.” Deus diz isso através do profeta porque Israel estava lamentando que estavam pagando o pecado dos pais, e Ele diz que responde de acordo com os atos de cada pessoa; e o que eles estavam sofrendo era a contínua desobediência de Israel através de muitas gerações.
O pecado traz conseqüências e é um câncer, uma lepra que se espalha e é contagioso. Em Ex 20:5 Deus diz que visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem. Em Nm 14:18 – “O Senhor é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações.” Deus advertindo das conseqüências terríveis dos pecados
2)      Rispa encarou o preço do pecado
Rispa pegou um pano de saco e o estendeu para si sobre uma rocha. Quando a Bíblia diz que alguém vestiu um pano de saco significa tristeza, arrependimento. Ela não agiu com vergonha, se escondendo, nem perpetuou o pecado suscitando revolta contra os gibeonitas ou Israel; mas externou seu luto com humildade representada pelo pano de saco em sinal de que a terra se arrependera. Fazendo esse manifesto público ela fez com que toda nação olhasse para o preço do pecado, encarasse e lidasse com a conseqüência.
3)      Rispa interrompeu a maldição
Rispa montou vigília dia e noite, espantando as aves  e os animais para que não comessem os cadáveres. Na lista das maldições impostas aos desobedientes, temos em Dt 28:26 – “O teu cadáver servirá de pasto  todas as aves do céu e aos animais da terra; e ninguém haverá que os espante.”
Rispa velou por seus filhos na morte, dando decência e dignidade ao corpo humano. Essa vigília durou meses, desde o princípio da ceifa até cair água do céu. Israel tem praticamente 2 estações: inverno e verão. O verão é de abril a setembro, tempo bom e seco, tempo de colheita, são 6 meses de seca. O inverno é de outubro a março, são 6 meses de chuva, tempo de semadura. As primeiras chuvas caem em outubro. Rispa guardou os corpos por 6 meses. Não cuidou em troca de carinho, nem preparando os filhos para carreira de sucesso, mas para interromper uma maldição e dar dignidade e sentido a morte deles.
            A vigília que Rispa montou junto aos corpos chegou ao conhecimento de Davi que deu ordem para que juntassem os ossos dos enforcados e também os ossos de Saul e Jônatas e enterrassem na sepultura de Quis, pai de Saul, na terra de Benjamim. Só depois que isso aconteceu, Deus se tornou favorável para com a terra de Israel.

CONCLUSÃO
            Se você está vivendo o reflexo do pecado é bem provável que ele se perpetue em você. Encare o preço do pecado, conheça sua natureza e o que herdou de ruim dos seus pais, note as ações malignas que eles praticaram e os traumas e conseqüências que você leva na sua vida. Interrompa a maldição não praticando o mal. A maldição é o resultado da ação; quando a pessoa cessa de praticar o mal, a maldição não a alcança. Por isso na vida do convertido em Jesus a maldição é quebrada, o que furtava, não furta mais; o que mentia, não mente mais; o que adulterava, não adultera mais.
            1 Pe 1:18 diz que “...fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram.” Fomos livres para quebrar os comportamentos levianos herdados de quem nos criou. 2Co 5:17 nos afirma que, se estamos em Cristo, temos que deixar as coisas antigas, relações conflitantes, vícios, doenças de comportamento, porque todas as coisas se fazem novas.
Vania Vicente
      Para uma completa conquista, tem que haver expulsão total do antigos habitantes da terra, porque eles podem servir de laço, espinhos e cadeias, e serem os maiores perturbadores e motivos de desânimo e desvio de propósitos.
Vania Vicente

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Fanny Crosby


Fanny Crosby  - Compositora (1820-1915)

Cega aos 6 semanas de vida, órfã de pai, educada no cristianismo pela avó. Professora de inglês e história no Instituto de cegos de Nova Iork. Casada com um professor de música e cantor, perderam seu único filho ainda pequeno. Era evangelista, pregava e fazia conferências. Foi a primeira mulher a falar diante do senado dos EUA. Escreveu mais de nove mil hinos e poemas; das poesias que chegaram até nós, cantamos algumas de suas composições:

“A Deus demos glória” – HCC, nº 228; Salmos e Hinos, nº 233; Hinário Aleluia, nº 78
“Meu Senhor sou teu” – HCC, nº 375; Hinário Aleluia, nº 201
“Que segurança” - HCC, nº 417; Salmos e hinos, nº 409; Hinário Aleluia, nº 365
“Quero estar aos pés da cruz” - HCC, nº 395; Salmos e hinos, nº 362; Hinário Aleluia, nº 187
“Quero o Salvador comigo” - HCC, nº 347; Salmos e hinos, nº 409; Hinário Aleluia, nº 208

Em vida, ela declarou:

“Creio que a maior bênção que o Criador me deu foi quando permitiu que minha visão externa fosse fechada. Consagrou-me para a obra para a qual me fez. Nunca conheci o que é enxergar, e por isso não posso compreender a minha perda. Mas tive sonhos maravilhosos, tenho visto os mais lindos olhos, os mais belos rostos e as paisagens mais singulares.  A perda da minha visão não foi perda nenhuma pra mim.
Parecia destinado pela providência de Deus que eu deveria ser cega toda a minha vida, e agradeço-lhe pela dispensação. Se a visão terrena perfeita me fosse oferecida amanhã eu não iria aceitá-la. Eu não poderia ter cantado hinos para o louvor de Deus, se eu tivesse sido distraída por coisas bonitas e interessantes para mim.
Se eu tivesse uma escolha, eu ainda escolheria permanecer cega, para quando eu morrer, o primeiro rosto dos que jamais vi, seja o rosto do meu bendito Salvador.”





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Encontrar Deus também é encontrar a si mesmo


         Moisés fez justiça com as próprias mãos, matando o egípcio que espancava um de seu povo. Tentou apartar a briga entre irmãos ao inquirir o culpado que o indagou: quem te pôs por príncipe e juiz sobre nós? Sem saber que estava falando com o maior líder da história de Israel e que teve o papel de legislador, príncipe e juiz sobre o seu povo.

         Moisés, ao ouvir isso, temeu. Temeu porque não tinha ainda ouvido a Deus, temeu porque não tinha certeza do chamado, temeu porque era culpado de assassinato, temeu porque era inseguro, temeu porque tinha um segredo escuro, temeu porque agiu sozinho ao tentar libertar o povo, temeu porque foi desmascarado, temeu porque a sua forma de justiça não foi aceita, temeu porque foi rejeitado.
         Moisés fugiu. Fugiu de Faraó, fugiu de assumir a culpa de homicídio, fugiu pra não enfrentar a indignação de ver o povo sofrendo, fugiu da injustiça praticada ao seu povo, fugiu pra salvar a própria pele, fugiu dos israelitas, fugiu porque se viu sozinho.
         Moisés tornou-se pastor de ovelhas em Midiã até que Deus se encontrou com ele e o chamou de volta para o Egito para libertar seu povo. Ao ser encontrado por Deus, Moisés declara cinco desculpas pra não ir: “Quem sou eu, não tenho talento”; “Quem me enviou”; “Ninguém vai acreditar em mim”; “Não sei falar em público”; e finalmente uma recusa. Todas as respostas que Deus lhe deu foram baseadas no próprio Senhor. A resposta à sua identidade é obtida em cima de quem Deus é.
         Moisés soube expressar a Deus os seus piores defeitos e o que tinha o feito temer e fugir, vivendo fugitivo por quarenta anos. Ao ver Deus ele olhou pra dentro de si.
         E dentro de si ele encontrou medo, fobia, insegurança, temor, covardia. Quando a revelação de Deus o alcança como um ato de graça, ele encontra o amor de Deus e o conhecimento que ele tem de si mesmo não o faz mal.
         Só podemos confiar em quem conhecemos. Eu não confio em mim mesmo porque eu não me conheço, mas Deus me conhece e sabe tudo de mim. Devo ter a mente de Cristo, conhecê-lo mais e mais pra que eu possa me ver a partir do ponto de vista de Deus. O autoconhecimento é fruto do conhecimento de Deus. Assim viverei no discernimento da realidade de Deus pra minha vida e fazer sua vontade em mim, porque ela é boa, perfeita e agradável.
Vania Vicente

Quero ser girassol



Girassol é aquela flor que acompanha a direção do sol seguindo o seu percurso do nascente ao poente. Ela não sobrevive sem a luz, se movimenta querendo o sol.
         Quero ser assim também, orientada pela Luz do mundo, pois aquele que segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
Não quero a luz artificial deste mundo, é falsa e me faz tropeçar.
Não quero as sombras, principalmente minhas, internas, dos pecados ocultos, das formas de auto-engano, dos fantasmas da alma que me assombram, das falsas percepções dos meus sentidos. Quero abraçar a luz e libertar minhas trevas deixando a luz penetrar, porquanto tudo o que se manifesta é luz.
Somos adestrados a esconder e se torna um exercício doloroso e difícil reconhecer minhas sombras e identificá-las, nomear cada pecado e evidenciar cada um diante da luz, para que ele possa perder o seu poder sobre mim, e não seja meu senhor e se manifeste nas minhas ações e comportamentos. Enquanto eu não fizer isso não enxergarei nada.
Quero viver atraída e dirigida por Aquele que me chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, caminhando na verdade que há em mim e que há Nele, porque as trevas se vão dissipando e a verdadeira luz já brilha.
Vania Vicente

domingo, 21 de agosto de 2011

Guiado por Deus ou por outras pessoas




Estava lendo sobre o caminho dos hebreus na sua saída do Egito até a Terra Prometida. Deus não os levou pelo caminho mais curto em direção a Canaã, entretanto os fez rodear pelo deserto. Em todo o tempo o Senhor guiou o seu povo através da coluna de nuvem de dia, servindo tanto de sombra no sol escaldante, como de orientação. E coluna de fogo à noite servindo de luz, aquecimento nas baixas temperaturas e direção.
Posso aprender como Deus é, como Ele age e a melhor ou pior ação e reação do povo. 
Eu creio que Deus me guia? Como perceber que sou guiado? 
Eu sei que tenho uma direção a seguir, pois Ele me ensina o que é útil e me guia pelo caminho que devo andar (Is 48:17); e se eu me desviar para a direita ou para a esquerda, ouvirei uma palavra: este é o caminho,andai por ele (Is 30:21). Observo que essa direção é diária, pois Ele me faz ouvir do seu amor leal pela manhã e me mostra o caminho que devo seguir (Sl 143:8). Jesus me ensinou que a ação divina no crente é através do Espírito Santo que nos guia em toda a verdade (Jo 16:13) , portanto só é filho de Deus aquele que for guiado pelo Espírito de Deus (Rm 8:14).
Quantas vezes pedimos a Deus para nos livrar do infortúnio e nos levar numa rota direta para a Palestina. Então as coisas se complicam para nós como para os israelitas que, num determinado momento, poderiam ter feito a trajetória em onze dias e fizeram num período de 40 anos. 
Ele nos examina e nos prova para saber o que está no nosso coração. 
As grandes lições que extraímos sobre dependência de Deus, considerar o Seu cuidado e a desesperada necessidade que temos Dele podem sobressair no deserto. 
Frequentemente a nossa demora para chegar ao lugar de descanso é um auxílio para que nossas dúvidas fiquem expostas, a nossa fé possa ser desenvolvida e fortalecida intensamente e para conhecer mais profundamente o amor de Deus. Nossos clamores nessa hora são mais intensos, nossas emoções mais frágeis e inconstantes, o que nos permite confiar mais nas promessas de Deus do que em nós mesmos.
Pode ser que algum descanso não chegue para nós assim como não chegou para Moisés, mas no caminho ouvimos a direção de Deus. 
Enquanto o povo murmurava, se revoltava e não conseguia enxergar a ação divina, Moisés tinha o discernimento por causa da sua intimidade com Deus. Algumas pessoas não sabem onde pisam e só seguem a multidão, não vêem, não discernem, não experimentam, enfim, caminham sendo guiadas por outras pessoas tão somente. Outras, procuram conhecer o Ser que as guia, reconhecem Sua voz, servem como modelo de caminhada e animam outros a seguirem em frente.
Vania Vicente








sábado, 20 de agosto de 2011

Minha perseverança


Depois de uns dias temerosa de ser responsável pelo afastamento de pessoas, me sentindo oprimida pela culpa por erros cometidos por causa da minha imperfeição e limitações, encolhida, me reconheci incapaz da autoridade de ser uma representante de Deus e falar a respeito dele e de mim. Finalmente Ele se revela a mim como Aquele que usa as minhas fraquezas para sua glória.
Não devo reagir passivamente diante dessa culpa, mas admitir que ela serviu para arrependimento dos meus pecados e agir com coragem e determinação, encarando minhas fragilidades e confiando no Deus que age a meu favor e me admoesta em todo tempo. Permaneço constante no meu trabalho e votos, perseverando na minha posição de mulher de Deus. Sei que Ele me dá liberalmente a sabedoria que peço e em nada duvido da sua graça na demonstração da minha perseverança, pois Ele concede boa dádiva e dom perfeito a mim, que sou frágil nos sentimentos. Confio na minha Rocha Inabalável, Aquele que é o Pai das Luzes que não tem sombra de variação, é imutável. Por isso, eu que O amo brilho como o sol, depois da escuridão da noite, da incerteza que as emoções conflitantes trazem, e me levanto no esplendor do sol que traz clareza e dissipa minha dúvida.
Vania Vicente

Gratidão

               Um coração grato dificilmente murmura porque a gratidão está baseada no que é feito de graça. É um antídoto para a tristeza e um estímulo para alegria de cada dia.
                                                                                                                         Vania Vicente

Reverência importa mais que exibicionismo


Quando você entrar no santuário de Deus, seja reverente, não queira se exibir. Se você se aproximar para ouvir será melhor do que o tolo que oferece sacrifício para ostentar sem saber que está agindo mal. Não seja precipitado em falar, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus, tentando impressionar e manipular. Porque da multidão de ocupações brotam sonhos fantasiosos e do muito falar nascem palavras tolas. Então, não permita que as suas palavras o façam pecar e te conceda uma fama de imprudente. Tenha cautela; é melhor não prometer nada do que fazer uma promessa e não cumprir. Mesmo nos seus muitos sonhos e em todas as suas ilusões e conversas inúteis, tenha temor de Deus. Aprenda que reverência importa mais que exibicionismo.
- Adaptado de Ec 5:1-7
Vania Vicente

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O poder do medo

            Muitas coisas deixei de fazer na minha vida por conta do medo. Sonhos que adiei, experiências que não provei, planos que interrompi, opinões que não expus, trabalhos que recusei, atividades que bloqueei.
         Numa determinada época resolvi viver o medo tantas vezes quantas precisasse para controlá-lo. Dominei síndrome do pânico, contive a timidez, me expus para falar em público, ousei sonhar e realizar os sonhos em pequenos e curtos mas decididos passos.
         Sempre vivencio o medo, às vezes com maior intensidade e duração. Frequentemente encaro e supero e ocasionalmente me recolho sem enfrentar.
         Algumas pessoas me inibem; quando me sinto à vontade posso ser eu mesma, quando não me sinto à vontade e desconcertada, perco a autoconfiança.
         Às vezes o medo me paralisa, outras me impulsiona a ser ousada.
Vania Vicente


Coisas novas para o seu bem

Em todas as situações você pode ver a mão de Deus, porque é Ele quem está o comando da sua vida. Mesmo quando você não tinha ciência disso Ele te conduziu até sua presença e te deu a vida eterna para que você não mais temesse nada. Ele transforma e renova tudo e te manda deixar as coisas antigas pra trás, (2 Co 5:17) . Seus olhos devem estar voltados no que Ele faz de novo hoje - uma experiência nova - na verdade algumas coisas na sua rotina não precisam alterar, mas o que deve modificar é a sua maneira de ver as coisas. Levante-se e tenha um espírito confiante de que o teu Deus faz tudo contribuir para o bem da sua vida, porque você, estando em Cristo, não precisa mais repetir as coisas velhas, o sentimentos antigos, o medo, a insegurança, a tristeza, a raiva, a mágoa, o vício...  Ele te capacita para vivenciar coisas novas, como nova criatura, experimentando tudo o que te faz bem, o amor, a paciência, a alegria, a paz, a gratidão, a confiança no Senhor.
                                                                                                       Vania Vicente

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Livre-se da ansiedade

   
Confiar nas palavras do Senhor é como um guia para termos os nossos passos mais firmes e nossa alma tranqüila. Os acontecimentos da nossa vida nos pegam de surpresa, trazendo desgraças que nos tiram o chão, catástrofes que passam por nós deixando grandes estragos. E ficamos inquietos por perder o controle da situação.
A ansiedade é um sentimento de insegurança, não sabemos o que vai acontecer e tememos, não temos a certeza do amanhã ou não confiamos nas pessoas, não nos sentimos livres do perigo. O sentimento me atinge quando alguém da minha família passa por crises; quando preciso alcançar uma meta no dia, quando sinto uma dor insistente e não sei sua origem. Quando escutamos os noticiários mostrando a violência ao nosso redor fica fácil adquirirmos essa atitude ansiosa.
As palavras de Paulo nos deixam admirados porque nos adverte a não estarmos ansiosos por coisa alguma (Fp 4:6), principalmente ao escrever esta carta quando estava na prisão. Ele não estava numa situação confortável e segura, ao contrário, estava indefeso e encarcerado, mesmo assim ele diz que a paz de Deus guarda os nossos corações e nossos sentimentos.
Numa de nossas viagens o carro deu problema e estávamos há 40 km da cidade mais próxima, rodávamos numa estrada de mão dupla, com um fluxo enorme de caminhões e sem acostamento. Minha vontade era de voar dali. Comecei a desenvolver a prática da oração, relatando nas minhas preces o que estava acontecendo e o que eu estava sentindo, depois me lembrei de emoções semelhantes em situações igualmente horríveis onde Deus esteve sempre comigo. Agradeci por ele estar sempre ao meu lado. Chegamos em casa sãos e salvos. A minha confiança em Deus foi se firmando e o meu coração se sentiu amparado. Isto me livrou da ansiedade e quando recordo dessa experiência faz muito sentido o que Pedro diz pra lançarmos sobre ele toda a nossa ansiedade porque ele tem cuidado de nós (1Pe 5:7).
Em vez de a ansiedade me impedir de pensar e orar, eu deposito na oração toda a minha inquietação e o peso me é tirado. Minha mente se enche da certeza de que não controlo nada, mas o Deus que tem o controle de tudo me guarda com sua paz, por isso não preciso de garantias humanas de segurança para me livrar da ansiedade.
A ansiedade gera a vontade de querer saber e controlar todas as coisas para me sentir confiante e me faz sofrer por antecipação, me atormentar inutilmente. É viver o hoje me angustiando sobre o que o amanhã pode trazer e deixo de viver o momento, desprezando que o passado irremediavelmente já passou, o futuro não sei se vai acontecer, e o agora é o presente que Deus me deu para eu simplesmente descansar nele.

Vania Vicente