domingo, 22 de abril de 2012

Sonhador


   José sempre foi um sonhador. Desde menino ele sonhava, Deus fez José para sonhar. E ele aprendeu a sonhar.
   No começo ele apenas contava os sonhos. Até que seus irmãos o venderam motivados pela inveja.
   Na casa de Potifar ele era um realizador dos sonhos dos outros. Cuidava dos bens de seu senhor e Deus fazia a casa prosperar por causa de José. Isso também despertou a maldade da mulher de Potifar.
   Em seguida, na prisão ele aprendeu a interpretar os sonhos. Em tudo isso ele estava praticando e aprendendo o dom de um sonhador.
   Quando Faraó recebeu sonho de Deus e mandou chamar José, ele não apenas soube interpretar os sonhos como também dar conselhos para a realização efetiva de cada sonho.
   Ao reencontrar com sua família, quando José se viu diante do resultado do sonho dado a ele ainda no começo de tudo, ele tomou a decisão de não dar lugar à vaidade, nem a arrogância, mas reconheceu a ação de Deus e Seus planos, revertendo mal em bem para conservação de muitas vidas.
   Nem a velhice e a morte acabaram com os sonhos e a visão do que Deus iria ainda fazer, por isso fez os filhos de Israel jurarem levar seus ossos dali.
  430 anos se passaram. Deus realmente os visitou e os tirou do Egito. Moisés levou seus ossos. Cerca de 3 milhões de pessoas mais um sonhador partindo para a Terra Prometida.
   Mais 40 anos de peregrinação no deserto. Daquela geração quem chegou em Canaã foi Josué, Calebe e os ossos de José. Seus ossos foram enterrados no campo de Siquém, na ocasião da morte de Josué, depois da conquista, concretizando assim a posse.
   Dois mil anos depois, um Homem passa por esse lugar, mostrando a soberania de Deus e o Seu governo sobre todos os sonhos e visões, um Homem que não só acreditava na ação de Deus, como Ele mesmo agiu para que a história acontecesse e a promessas se realizassem. Ele, cansado, faminto e sedento, se senta no poço de Jacó, nessa mesma região onde repousavam os ossos do sonhador, e se revela para a samaritana como o Messias, o Cristo. E seu discurso não é a posse da terra, mas anunciar que Deus é espírito e que Ele procura aqueles que geram seus sonhos espirituais para fazer parte da história, não o que está procurando o local geográfico certo, mas o que entende o sobrenatural e consegue discernir o espiritual. O sonho de José era pequeno diante do que Jesus nos chama a sonhar: seu reino estabelecido, sua manifestação aqui na terra através de nós e, enfim, a cidade celestial.

Vania Vicente

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Oração depois de ler Isaías


A maioria das pessoas ignora a Deus e poucas reconhecem e O adoram, dando a Sua devida glória. Ao ver isso, a minha pequena fé é abalada, e por pouco tempo entro em dúvida. E me assombro quando percebo que minha fé é preservada diante daquilo que meus olhos  vêem: maldade, impunidade, injustiça, indiferença.
Só tenho a Tua Palavra a me guiar. Ela me garante quem o Senhor é, um ser Justo, Zeloso, Soberano. Tu és um Deus tão seguro de si, tão tranqüilo e paciente, penso até que seja lento nas suas ações. Desde o começo do mundo existe essa maldade e somente uma vez quiseste começar de novo com Noé. Desde então, entra geração, sai geração e a iniquidade se multiplica. Até quando, Senhor? Quantos mais serão os seus adoradores?
Quando medito em quem tu és, meu coração angustiado se aquieta. Às vezes minhas emoções respondem a essa revelação com tanta intensidade... Mas na verdade, o Senhor age no mundo e também em mim com tamanha discrição, com leveza e mansidão, com um sussurrar que quebra e despedaça toda ansiedade.
Vania Vicente

terça-feira, 17 de abril de 2012

Rivalidade e reconciliação


Esaú e Jacó eram rivais. Desde o ventre os gêmeos lutavam e disputavam suas posições. Deus disse que nasceriam duas nações que se dividiriam.
Seus pais incentivaram esse conflito, aumentando a diferença entre os irmãos: Isaque amava Esaú, porém, Rebeca amava Jacó.
Os defeitos daqueles que estão sob nossa responsabilidade, muitas vezes são perpetuados e ressaltados pela nossa própria ação. Não sei se podemos mudar o destino, mas podemos tomar decisões que ajudem a aliviar e diminuir os conflitos e tensões.
Não precisaria de tanta mágoa, ira, medo e fuga se os pais tivessem unidos e ajudassem os irmãos a viverem com suas diferenças.
Depois de muito sofrimento e separação, Esaú e Jacó se reconciliam, sem a ajuda dos pais. E Jacó disse ao irmão: vejo seu rosto (me aceitando de volta e me perdoando), como se eu tivesse olhando para o rosto de Deus sorrindo para mim.
Era possível, e seria o ideal, que seus pais fossem os reconciliadores entre os dois. Era possível Deus sorrir desde o começo para a família pacificada, com filhos sendo educados a conviver com as divergências e a não alimentar a disputa.
Reflexão no meio de um problema na igreja praticado por pessoas diferentes que aumentavam seus defeitos ao agirem com rivalidade.
Vania Vicente

Mulher, esse ser especial


Maria, mãe de Jesus, é um exemplo de mulher especial. Para entendermos melhor, veremos a história da humanidade sob as lentes da mulher.
         Eva, a primeira mulher, ouviu a voz da serpente e desobedeceu a Deus. Os seus olhos se abriram e conheceu que estava nua, costurou folhas de figueira e fez avental. Quando ouviu a voz do Senhor, ela e seu marido se esconderam porque estavam nus; e quando Deus estabelece o diálogo com o homem, constatamos que o avental que fizeram não foi suficiente para cobrir a nudez. O resultado do pecado foi enxergar a nudez, os olhos se abriram para a maldade, para a malícia, para a vergonha, para as diferenças, para a estranheza. Antes da queda, a mulher estava tranquilamente exposta e transparente, de repente sentiu a necessidade de se esconder, de não mais se mostrar. Antes de esconder de Deus, tentou esconder sua intimidade. A atitude de ocultar a parte externa do seu ser mostra a vontade de não revelar o seu interior, significa que, antes mesmo de alguém me olhar eu não gosto do que vejo em mim, quem eu sou aqui dentro, o que se passa nos meus pensamentos, o que estou sentindo, as minhas emoções, tudo isso deve ser escondido e camuflado porque não acho mais naturalidade em mostrar integralmente o que sou, pois tenho um sentimento constante de inadequação comigo mesma e com o outro. Isso soa familiar?
         Conhecemos um Deus onisciente que graciosamente vai à procura de suas criaturas, cita e sentença como resultado da desobediência e veste a ambos, faz roupas de pele de animal e coloca neles. Deus vestiu a mulher para que ela pudesse andar sem precisar se esconder, foi um simbolismo do que Jesus veio fazer aqui na terra, resgatar a dignidade, a honra, o respeito, a intimidade sem culpa da mulher. Só Deus pode cobrir a nossa vergonha.

1)      Especial por viabilizar a salvação
O plano divino através de Jesus é resgatar o ser humano do pecado. Deus proveu essa salvação e o plano incluiu a mulher. Para que Deus viesse a esse mundo, ele utilizou a mulher, poderia milagrosamente ter vindo como adulto. Mas escolheu o ventre da mulher como instrumento para trazer Deus ao mundo. Ele não poderia ter usado um homem.
Assim como entrou o pecado e a morte através de Eva, agora pela Maria entra a salvação do mundo. Eva foi seduzida por satanás e Maria foi visitada pelo divino fazendo o caminho inverso da desobediência da primeira mulher, se submetendo à vontade de Deus, viabilizando a salvação para a humanidade e trazendo de volta a posição feminina para o paraíso, de onde nunca deveria ter saído. Enquanto Eva se esconde e se afasta de Deus, Maria traz Deus em seu ventre.

2)    Especial por ter natureza feminina
Somente a mulher com sua natureza e constituição feminina pode acolher a vida dentro dela. A mulher gera a vida, nutre e traz a luz. Quando criança, a menina vê o modelo da mãe e copia, brincando com bonecas. O que significa a boneca para as meninas? Cuidar, aconchegar, acolher outro ser humano.
     O útero pertence à mulher, isso quer dizer que a natureza dela é acolher, nutrir, repartir a si mesma com o outro. Doa a si mesma. Enquanto grávida, divide o próprio espaço do corpo com outro ser. Doa seu seio e quando amamenta o seio não pertence só a ela. E mesmo que por algum motivo não tem a bênção da maternidade, origina dela a inclinação para cuidar do semelhante.
     Deus confiou a uma mulher que gerasse seu filho Jesus.
     Maria, quando se viu grávida foi visitar Isabel que também estava grávida, carregando João Batista, aquele que veio preparar o caminho do Senhor. Ela foi compartilhar com outra mulher que sentiu a criança se estremecer no ventre ao ver a mãe de Jesus. Ali vemos a salvação do mundo sendo comunicada de mulher para mulher. Essa comunicação é própria do feminino.
     A mulher precisa compartilhar. A brincadeira da menina é participativa, ela senta pra tomar chá e bolacha imaginativa com as amiguinhas, visita a casinha da outra, hospeda na sua casinha, constroem juntas um mundo faz-de-conta.
     Duas amigas quando se encontram repartem intimidade, falam dos seus sentimentos, dividem alegrias e dores, por isso a mulher é mais sensível aos sentimentos e sabe lidar com a dor. Desde adolescente encara as cólicas, a menstruação, a queda de humor por conta dos hormônios. Sabe mais do que o homem que amor envolve sofrimento. Enfrenta as dores de parto, a amamentação, o desmame, as vacinas, os limites impostos aos filhos, a saída e independência dos mesmos.
     Maria, como mãe e primeira discípula, esteve com Jesus nas grandes fases da sua vida, quando veio a mundo, na sua primeira aparição do ministério público em Caná e aos pés da cruz.
     Maria é um exemplo de mulher especial que colocou toda sua natureza para servir. Bendita por não colocar seus interesses acima de tudo, mas sua vida se resume na sua resposta ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a sua palavra”.

Conclusão

     Deus continua executando seus propósitos usando homens e mulheres.
     Somos seres especiais porque Deus nos constituiu femininas para acolhermos a vida, para compartilharmos a vida a outras mulheres e empatizarmos com a dor umas das outras (empatia é sentir o que a outra sente, entender).
     Não somos um clube, nem uma instituição fundamentalmente terrena, mas somos um organismo vivo, um corpo, por isso, a maneira de tratar você, de me relacionar com você não é como sócias, com interesse ou com indiferença. Podemos amparar umas as outras.
     Deus resgatou a nossa natureza, não nos escondamos das outras, não nos tranquemos emocionalmente, mantendo as pessoas à distância. Nossa natureza é de nos doarmos servirmos e acolhermos, compartilharmos intimidade, sentimentos e nos apoiar mutuamente.
     Nosso Ministério Feminino preenche a necessidade da mulher. Aproveite isso e viabilize esse objetivo.
Vania Vicente

sábado, 27 de agosto de 2011

Atalia e Jeoseba


2Cr 22 e 23
       Atalia foi uma rainha que usurpou o trono de Judá. Ela era tão cruel e maligna como as rainhas malvadas dos contos de fadas. Entretanto sempre se levanta uma pessoa como Jeoseba que, ao fazer o que é certo, frustra os planos finais malignos.
1)  O egoísmo de Atalia
Ela tinha apego excessivo aos seus interesses e não considerava o bem estar do próximo.
a) Manipuladora: Atalia ficou cerca de 15 anos na corte de Judá. Era filha do rei Acabe, do reino do Norte, um rei perverso que, junto com sua esposa Jezabel, fez o que era mau perante o Senhor mais do que todos os que foram antes dele. Atalia se casou com o rei de Jeorão, que fez o que era mau como a família de Acabe, porque se casou com a filha dele (2Cr 21:6). Exercia significante influência sobre o rei, e quando seu marido morreu, após um reinado de oito anos, manipulou também seu filho Acazias, porque sua mãe o aconselhava a proceder iniquamente (2Cr 22:3). Os reis marido e filho andaram nos caminhos da casa de Acabe por causa da influência manipuladora de Atalia.
b) Ambiciosa: Quando seu filho Acazias morreu, ela usurpou o trono. Matou toda a descendência da casa de Judá para garantir seu reinado. Nessa época, Deus levantou o rei Jeú, do Norte, para exterminar toda a casa de Acabe (2Rs 9:6-8). Os reis de Israel eram colocados no trono independente de sua linhagem, mas os reis de Judá eram todos da linhagem de Davi, pois era promessa divina de que o Messias que reinaria para sempre descenderia de Davi (2Sm 7:16 ; Jr 33:17 ; Is 9:6-7). Atalia também tentou eliminar a linhagem de Davi, querendo pôr fim à promessa ao reinar 6 anos em Judá, sem ser da linhagem de Davi. Mas não viu o golpe sendo construído.

2) O altruísmo de Jeoseba
Ela pensou primeiro no interesse da nação. Correu risco de vida ao defender a promessa de Deus.
a) Protetora da vida: Jeoseba era filha do rei Jeorão  irmã do rei Acazias, os dois falecidos. Era esposa do sumo-sacerdote Joiada. Quando viu a rainha-mãe matar todos seus filhos e netos, furtou seu sobrinho, o filho do rei Acazias e o escondeu junto com sua ama. Jeoseba o manteve escondido na casa do Senhor. Provavelmente, como esposa do sacerdote, morava nas dependências do Templo e, enquanto Atalia reinava, ela criou o filho do rei como seu filho, passando o fato despercebido pela rainha má.
b) Submissa: Jeoseba criou e educou o filho do rei no Templo para que, no dia oportuno ele reinasse. Correu grande risco ao proteger a vida da criança porque acreditava na promessa divina. Esperou por 6 anos.
No sétimo ano, o seu marido, o sumo-sacerdote reuniu todos os levitas e os chefes das famílias israelitas e disse: “Reinará o filho do rei conforme o Senhor prometeu acerca dos descendentes de Davi” (2Cr 23:3b). Trouxeram o filho do rei para fora, colocaram a coroa, entregaram-lhe o Livro da Lei e o ungiram rei. E todo o povo gritou: Viva o rei.
Quando Atalia ouviu, correu para o Templo, vendo o rei, rasgou as suas vestes e gritou: Traição. Tiraram a rainha para fora do templo e a mataram. O rei de direito subiu ao trono, então fizeram  aliança com Deus (2Cr 23:16); derrubaram os altares de Baal (23:17); restabeleceram o culto ao Senhor (23:18) e restauraram o Templo (24:4).

APLICAÇÃO
       Jesus cumpriu toda profecia do AT (Lc 1:31-33).
       Quando Ele veio, implantou o Reino de Deus aqui na terra. Nossa tarefa como igreja é tornar visível o reino invisível de Deus através da nossa vida. Quando fazemos a vontade de Deus, contribuímos para a expansão do Reino.
Pessoas como Atalia frustram o Reino de Deus. Somos como ela quando manipulamos, querendo ter o controle das coisas e das pessoas, quando nos assemelhamos com a nossa geração imediatista e com relações descartáveis, a geração do ficar, sem compromisso e envolvimento emocional. Quando nos importamos com as pessoas só quando elas nos são úteis, se elas nos ameaçam o poder, são condenadas à morte. Quando somos egoístas e nossos interesses são mais importantes que o bem estar coletivo. Quando nos esquecemos que fomos chamados não pra mandar, mas pra servir.
Pessoas como Jeoseba levam e proclamam o Reino de Deus por onde elas passam. Ao invés de lutar por poder, lutamos pra gerar relacionamentos que desenvolvem o compromisso, a cooperação, a compaixão. Quando nossos vínculos afetivos são construídos para nos abençoarmos mutuamente e não como meio descartável de autopromoção e autoafirmação. Quando produzimos a intimidade com o outro debaixo de confiança, não esquecendo que isto se constrói aos poucos, com paciência e dedicação, com flexibilidade e capacidade de perdoar. Quando construímos um relacionamento íntimo com Deus e melhoramos a qualidade das nossas relações humanas. Quando amamos a Deus acima de todas as coisas e amamos ao próximo como a nós mesmos. Amar como Jeoseba significa correr riscos, abrir-se, doar-se, acreditar e esperar.
Vania Vicente

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Raabe e seu poder de influência


1)      Animou os dois espias
Para entender a extensão da sua influência entusiasmando os dois espias, nos lembremos dos 12 espias enviados há quase 40 anos atrás. Dez deles voltaram amedrontados e assustados com o povo numeroso e forte que habitava a terra de Canaã, desanimando toda a nação de Israel e fazendo com que eles fossem castigados peregrinando no deserto e não deixando que nenhum desses que duvidaram entrasse na terra prometida. Por isso passaram quarenta anos no deserto aprendendo a confiar no Senhor até a nação incrédula toda ser enterrada ali.
Neste texto, dois espias são enviados novamente para observar a terra e trazer um relatório. Entraram na casa de Raabe e pousaram ali. O rei de Jericó soube da presença deles e quis capturá-los, mandando que eles viessem para fora da casa onde estavam. Mas Deus conta com essa mulher de coragem que arrisca sua vida para escondê-los e enganar os soldados, dizendo que eles realmente tinham estado ali, mas já tinham saído, e deu uma direção qualquer pra eles tomarem e irem após os espias. Raabe tinha escondido os israelitas no eirado da casa. Foi ter com eles e revelou que acreditava que Israel conquistaria aquela terra e que todo o povo estava apavorado por causa da presença deles. Raabe animou e encorajou os espias mostrando o quanto o povo dela estava indefeso, apavorado e sem ânimo algum diante deles.

2)      Reconheceu o poder de Deus
Raabe era uma prostitua Cananéia, morava em cima do muro de  Jericó. As cidades fortificadas tinham um muro ao redor que poderia ter de 6 a 9 metros de largura, o suficiente pra existir casas em cima. Como era uma mulher que se relacionava com as pessoas e morava num ponto estratégico para receber visitantes, tinha acesso a informações de viajantes e notícias gerais do mundo. Mostrou grande conhecimento das conquistas de Israel, como a travessia do Mar Vermelho e da vitória na guerra contra os dois reis amorreus. Raabe reconheceu que a força que esse povo tinha era por causa do Deus deles. Admitiu que foi Deus quem deu Jericó para eles, confessou que esse Deus é Deus em cima nos céus e embaixo na terra. Com essa confissão ela está abandonando a crença nos deuses cananeus e afirmando sua fé na promessa divina de que daria a terra ao povo de Israel.


3)      Alcançou e estendeu misericórdia
Em seguida ela clamou por misericórdia por sua própria vida e por aqueles que ela amava. Assim como tratou-os com bondade, pediu um sinal pra que, quando conquistassem a terra, poupassem a vida dos pais, dos irmãos e as famílias deles. Os espias garantiram poupá-la e a sua família com a própria vida e exigiram fidelidade, um aviso na janela representado pelo cordão de fio escarlata e as portas fechadas com os que iam se salvar dentro.

4)      Suas palavras repercutiram no relatório dos espias
Quando os espias voltaram para o acampamento contaram tudo o que havia acontecido. Estavam entusiasmados e estimulados a tal ponto que fizeram repercutir as palavras de Raabe dizendo que o Senhor quem deu esta terra e que todos os seus moradores estavam desmaiados diante deles. As palavras dela tiveram uma influência sobre os espias e consequentemente sobre uma nação inteira que se levantou para a conquista da terra.
Vania Vicente

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rispa e sua vigília


         Rispa era concubina do rei Saul e tinha dois filhos com ele: Armoni e Mefibosete. Saul também teve uma esposa, Aionã, com quem teve 6 filhos: Jônatas, Abinadabe, Malquisua (que morreram com ele na última batalha no Monte Gilboa), Merabe e Mical ( esposa de Davi) e Isbosete.
            Nessa passagem Davi era rei em Israel quando houve uma fome de 3 anos. O rei consultou ao Senhor que lhe disse: A fome veio por causa de Saul e sua família sanguinária, por terem matado os gibeonitas.
            Em Josué 9 encontramos o relato da aliança que Israel tinha com os gibeonitas. Israel estava conquistando a terra, e quando os reis das cidades ficaram sabendo que iriam ser conquistados se armaram para guerrear contra Israel e defender suas terras. Os habitantes de Gibeom temeram Israel e usaram de astúcia para conseguir aliança com eles. Enviaram homens com objetos gastos, vestindo roupas e sapatos velhos e desgastados, pão seco, e se apresentaram como se tivessem vindo de uma região muito distante. Sem consultar ao Senhor, Josué fez um acordo de paz com eles, garantindo poupar-lhes a vida. Depois de 3 dias souberam que eram seus vizinhos. Mas o acordo já estava estabelecido diante do Senhor e os gibeonitas ficaram fixados na tribo de Benjamim. Os outros reis souberam da aliança e se revoltaram, lutando contra os gibeonitas que tiveram Israel como aliado, na batalha onde Josué pede e o sol se deteve e a lua parou.
            Saul era benjamita e tentou aniquilar os gibeonitas que faziam parte da casa de Saul. Por causa desta quebra de aliança, Deus estava julgando Israel, e Davi, ao tomar conhecimento disso, procura os gibeonitas para poder reparar o que foi feito e Deus voltar a abençoar a terra. Eles não quiseram prata nem ouro da família de Saul, mas exigiram 7 de seus descendentes para serem executados perante o Senhor em Gibeá. Davi entregou 5 netos de Saul, filhos de Merabe, sua filha, e os dois filhos de Rispa, sua concubina.
1)      Rispa viveu o reflexo da aliança rompida
Qualquer aliança diante de Deus, mesmo a repentina, tem um peso de responsabilidade e compromisso. Esta mãe viveu as conseqüências da quebra de uma palavra empenhada. Os gibeonitas sabiam da lei  e devem ter se pautado em Nm 35:31 – “Não aceitareis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; antes, será ele morto.”
      Provavelmente os 7 homens entregues por Davi estavam envolvidos de alguma maneira na matança porque a lei diz em Dt 24:16 – “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.” Ez 18:20 – “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre ele.” Deus diz isso através do profeta porque Israel estava lamentando que estavam pagando o pecado dos pais, e Ele diz que responde de acordo com os atos de cada pessoa; e o que eles estavam sofrendo era a contínua desobediência de Israel através de muitas gerações.
O pecado traz conseqüências e é um câncer, uma lepra que se espalha e é contagioso. Em Ex 20:5 Deus diz que visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem. Em Nm 14:18 – “O Senhor é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações.” Deus advertindo das conseqüências terríveis dos pecados
2)      Rispa encarou o preço do pecado
Rispa pegou um pano de saco e o estendeu para si sobre uma rocha. Quando a Bíblia diz que alguém vestiu um pano de saco significa tristeza, arrependimento. Ela não agiu com vergonha, se escondendo, nem perpetuou o pecado suscitando revolta contra os gibeonitas ou Israel; mas externou seu luto com humildade representada pelo pano de saco em sinal de que a terra se arrependera. Fazendo esse manifesto público ela fez com que toda nação olhasse para o preço do pecado, encarasse e lidasse com a conseqüência.
3)      Rispa interrompeu a maldição
Rispa montou vigília dia e noite, espantando as aves  e os animais para que não comessem os cadáveres. Na lista das maldições impostas aos desobedientes, temos em Dt 28:26 – “O teu cadáver servirá de pasto  todas as aves do céu e aos animais da terra; e ninguém haverá que os espante.”
Rispa velou por seus filhos na morte, dando decência e dignidade ao corpo humano. Essa vigília durou meses, desde o princípio da ceifa até cair água do céu. Israel tem praticamente 2 estações: inverno e verão. O verão é de abril a setembro, tempo bom e seco, tempo de colheita, são 6 meses de seca. O inverno é de outubro a março, são 6 meses de chuva, tempo de semadura. As primeiras chuvas caem em outubro. Rispa guardou os corpos por 6 meses. Não cuidou em troca de carinho, nem preparando os filhos para carreira de sucesso, mas para interromper uma maldição e dar dignidade e sentido a morte deles.
            A vigília que Rispa montou junto aos corpos chegou ao conhecimento de Davi que deu ordem para que juntassem os ossos dos enforcados e também os ossos de Saul e Jônatas e enterrassem na sepultura de Quis, pai de Saul, na terra de Benjamim. Só depois que isso aconteceu, Deus se tornou favorável para com a terra de Israel.

CONCLUSÃO
            Se você está vivendo o reflexo do pecado é bem provável que ele se perpetue em você. Encare o preço do pecado, conheça sua natureza e o que herdou de ruim dos seus pais, note as ações malignas que eles praticaram e os traumas e conseqüências que você leva na sua vida. Interrompa a maldição não praticando o mal. A maldição é o resultado da ação; quando a pessoa cessa de praticar o mal, a maldição não a alcança. Por isso na vida do convertido em Jesus a maldição é quebrada, o que furtava, não furta mais; o que mentia, não mente mais; o que adulterava, não adultera mais.
            1 Pe 1:18 diz que “...fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram.” Fomos livres para quebrar os comportamentos levianos herdados de quem nos criou. 2Co 5:17 nos afirma que, se estamos em Cristo, temos que deixar as coisas antigas, relações conflitantes, vícios, doenças de comportamento, porque todas as coisas se fazem novas.
Vania Vicente