Maria, mãe de Jesus, é um exemplo de mulher especial. Para entendermos melhor, veremos a história da humanidade sob as lentes da mulher.
Eva, a primeira mulher, ouviu a voz da serpente e desobedeceu a Deus. Os seus olhos se abriram e conheceu que estava nua, costurou folhas de figueira e fez avental. Quando ouviu a voz do Senhor, ela e seu marido se esconderam porque estavam nus; e quando Deus estabelece o diálogo com o homem, constatamos que o avental que fizeram não foi suficiente para cobrir a nudez. O resultado do pecado foi enxergar a nudez, os olhos se abriram para a maldade, para a malícia, para a vergonha, para as diferenças, para a estranheza. Antes da queda, a mulher estava tranquilamente exposta e transparente, de repente sentiu a necessidade de se esconder, de não mais se mostrar. Antes de esconder de Deus, tentou esconder sua intimidade. A atitude de ocultar a parte externa do seu ser mostra a vontade de não revelar o seu interior, significa que, antes mesmo de alguém me olhar eu não gosto do que vejo em mim, quem eu sou aqui dentro, o que se passa nos meus pensamentos, o que estou sentindo, as minhas emoções, tudo isso deve ser escondido e camuflado porque não acho mais naturalidade em mostrar integralmente o que sou, pois tenho um sentimento constante de inadequação comigo mesma e com o outro. Isso soa familiar?
Conhecemos um Deus onisciente que graciosamente vai à procura de suas criaturas, cita e sentença como resultado da desobediência e veste a ambos, faz roupas de pele de animal e coloca neles. Deus vestiu a mulher para que ela pudesse andar sem precisar se esconder, foi um simbolismo do que Jesus veio fazer aqui na terra, resgatar a dignidade, a honra, o respeito, a intimidade sem culpa da mulher. Só Deus pode cobrir a nossa vergonha.
1) Especial por viabilizar a salvação
O plano divino através de Jesus é resgatar o ser humano do pecado. Deus proveu essa salvação e o plano incluiu a mulher. Para que Deus viesse a esse mundo, ele utilizou a mulher, poderia milagrosamente ter vindo como adulto. Mas escolheu o ventre da mulher como instrumento para trazer Deus ao mundo. Ele não poderia ter usado um homem.
Assim como entrou o pecado e a morte através de Eva, agora pela Maria entra a salvação do mundo. Eva foi seduzida por satanás e Maria foi visitada pelo divino fazendo o caminho inverso da desobediência da primeira mulher, se submetendo à vontade de Deus, viabilizando a salvação para a humanidade e trazendo de volta a posição feminina para o paraíso, de onde nunca deveria ter saído. Enquanto Eva se esconde e se afasta de Deus, Maria traz Deus em seu ventre.
2) Especial por ter natureza feminina
Somente a mulher com sua natureza e constituição feminina pode acolher a vida dentro dela. A mulher gera a vida, nutre e traz a luz. Quando criança, a menina vê o modelo da mãe e copia, brincando com bonecas. O que significa a boneca para as meninas? Cuidar, aconchegar, acolher outro ser humano.
O útero pertence à mulher, isso quer dizer que a natureza dela é acolher, nutrir, repartir a si mesma com o outro. Doa a si mesma. Enquanto grávida, divide o próprio espaço do corpo com outro ser. Doa seu seio e quando amamenta o seio não pertence só a ela. E mesmo que por algum motivo não tem a bênção da maternidade, origina dela a inclinação para cuidar do semelhante.
Deus confiou a uma mulher que gerasse seu filho Jesus.
Maria, quando se viu grávida foi visitar Isabel que também estava grávida, carregando João Batista, aquele que veio preparar o caminho do Senhor. Ela foi compartilhar com outra mulher que sentiu a criança se estremecer no ventre ao ver a mãe de Jesus. Ali vemos a salvação do mundo sendo comunicada de mulher para mulher. Essa comunicação é própria do feminino.
A mulher precisa compartilhar. A brincadeira da menina é participativa, ela senta pra tomar chá e bolacha imaginativa com as amiguinhas, visita a casinha da outra, hospeda na sua casinha, constroem juntas um mundo faz-de-conta.
Duas amigas quando se encontram repartem intimidade, falam dos seus sentimentos, dividem alegrias e dores, por isso a mulher é mais sensível aos sentimentos e sabe lidar com a dor. Desde adolescente encara as cólicas, a menstruação, a queda de humor por conta dos hormônios. Sabe mais do que o homem que amor envolve sofrimento. Enfrenta as dores de parto, a amamentação, o desmame, as vacinas, os limites impostos aos filhos, a saída e independência dos mesmos.
Maria, como mãe e primeira discípula, esteve com Jesus nas grandes fases da sua vida, quando veio a mundo, na sua primeira aparição do ministério público em Caná e aos pés da cruz.
Maria é um exemplo de mulher especial que colocou toda sua natureza para servir. Bendita por não colocar seus interesses acima de tudo, mas sua vida se resume na sua resposta ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a sua palavra”.
Conclusão
Deus continua executando seus propósitos usando homens e mulheres.
Somos seres especiais porque Deus nos constituiu femininas para acolhermos a vida, para compartilharmos a vida a outras mulheres e empatizarmos com a dor umas das outras (empatia é sentir o que a outra sente, entender).
Não somos um clube, nem uma instituição fundamentalmente terrena, mas somos um organismo vivo, um corpo, por isso, a maneira de tratar você, de me relacionar com você não é como sócias, com interesse ou com indiferença. Podemos amparar umas as outras.
Deus resgatou a nossa natureza, não nos escondamos das outras, não nos tranquemos emocionalmente, mantendo as pessoas à distância. Nossa natureza é de nos doarmos servirmos e acolhermos, compartilharmos intimidade, sentimentos e nos apoiar mutuamente.
Nosso Ministério Feminino preenche a necessidade da mulher. Aproveite isso e viabilize esse objetivo.
Vania Vicente

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